Caso BES - A Realidade dos Números

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O BES e o GES, os grupos económicos e a economia portuguesa, o Banco de Portugal e o processo de intervenção são os principais temas deste livro que apresenta a realidade através dos números de que todos falam, mas poucos conhecem a fundo.


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ISBN: 9789897242328 Edição ou reimpressão: Junho de 2015 Páginas: 392 Dimensões: 23.50 x 15.50 x 3.00 cm Peso: 300 Categoria: Temática:

Este livro apresenta as análises e as conclusões do estudo realizado pela SaeR - Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco, com a coordenação de José Poças Esteves (Presidente-executivo da SaeR) e Avelino de Jesus (Professor do ISEG). 


INTRODUÇÃO

1. O estudo foi elaborado no âmbito do contrato assinado entre a SaeR e Ricardo Espírito Santo Salgado com o objetivo de avaliar o impacto da crise global na situação económica e financeira do BES e do GES. No decurso dos trabalhos, que foram elaborados com recurso essencialmente a fontes primárias de informação, houve que entender três realidades centrais:
a crise, as suas características e o impacto em Portugal; 
a economia portuguesa, a sua estrutura e o impacto da crise internacional nessa estrutura, incluindo nos sistemas financeiro e empresarial nacionais; e, 
o Grupo Espirito Santo (BES/GES), a sua inserção e posicionamento na economia e no sistema financeiro nacionais.

2. Os impactos da crise, a análise da economia portuguesa e do Grupo Espirito Santo conduziram rapidamente à necessidade de colocar como questão fundamental o conceito e a importância dos conglomerados mistos, i.e., grupos empresariais com atividades nos ramos financeiro e não financeiro. No caso português, qual o papel dos conglomerados mistos? Estará a economia portuguesa a perder os seus centros estruturantes e de racionalidade? Que problemas pode esta questão colocar no futuro da economia portuguesa?

3. Ao longo do trabalho, um conjunto de questões relevantes são analisadas com opiniões da total responsabilidade da SaeR e dos coordenadores do estudo.
Em que medida os ciclos económicos e/ou financeiros explicam esta crise? Como é que a Europa, como um todo, os países da periferia e Portugal, em particular, foram afetados? Como reagiram à crise? Qual o impacto nos diferentes sectores económicos, financeiros e não financeiros?
Qual a estrutura do Grupo Espírito Santo? Que papel representava na economia portuguesa? Como articulava as atividades financeiras e não financeiras?
Atendendo à realidade dos factos, económicos, setoriais e empresariais e à atuação dos principais responsáveis, privados e públicos, o que falhou? Onde estiveram as principais causas? Poderia ter sido diferente?


CONSIDERAÇÕES FINAIS

1. Há duas características da crise financeira de grande relevância para entender o contexto do caso BES/GES, nomeadamente:
Um forte endividamento global: o ciclo financeiro foi mal compreendido e confundido na sua origem, profundidade e consequências com o ciclo económico; 
Um forte desequilíbrio na alocação de recursos: os setores da construção e imobiliário foram forte e artificialmente empolados pelos poderes públicos e pelo setor financeiro, arrastando, em fase posterior do reequilíbrio inevitável, o conjunto da economia para uma depressão de grandes proporções. 

O Grupo Espírito Santo, tendo um forte relacionamento com a economia, estava muito relacionado com os setores mais afetados e, portanto, com os setores que estiveram no epicentro da crise.

2. A crise financeira, só por si, não explica o colapso do Grupo Espírito Santo. Aquela apenas criou as condições que potenciaram o efeito de duas falhas fundamentais dos atores determinantes: a gestão do grupo e os poderes públicos nacionais (Governo e Banco de Portugal). 

Uma primeira falha é a resultante da estrutura e da gestão do Grupo Espírito Santo, o qual, constituindo-se como um conglomerado misto, deveria ter organizado uma gestão adequada e exigente na manutenção do equilíbrio que se impõe entre as áreas financeira e não financeira. A maior exigência e excelência de gestão e os resultados no setor financeiro pressionaram no sentido de atrair para este setor os melhores recursos e competências. Esta realidade devia ter obrigado a um mais efetivo acompanhamento da área não financeira por parte do Grupo. 
Uma segunda falha resultou do processo de intervenção do Governo e do Banco de Portugal. A preocupação dominante com o sistema financeiro descorou o mais importante: a estrutura e os modelos de funcionamento e desenvolvimento da economia portuguesa, como um todo. Perante a necessidade fundamental de melhorar a dimensão dos centros de racionalidade e de decisão da economia portuguesa, o colapso e o desmembramento de um conglomerado como o Grupo Espírito Santo, era uma hipótese que merecia uma abordagem diferente.

3. A opção tomada pelos decisores públicos portugueses de resolução não era a única nem a melhor. Qualquer solução deveria sempre tomar em consideração, no plano macro, a estabilização do sistema financeiro e, no plano micro, a garantia da sustentabilidade económica e financeira das operações. Impunham-se duas ações: a defesa da confiança individual/reputacional e do sistema como um todo, que está na base da estabilidade dos sistemas financeiros; e a defesa da continuidade das operações (going concern), fundamental no quadro de uma gestão empresarial e de gestão e valorização dos ativos.

Quando, no segundo trimestre de 2014, a gestão do Grupo solicitou apoio externo, nomeadamente governamental, para obter um financiamento intercalar para a área não financeira através da Rioforte, para onde estava planeado um aumento de capital, esse financiamento teria permitido estancar - a tempo e em grande medida - os efeitos negativos das condições de going concern existentes na altura. Uma intervenção exógena das autoridades como esta teria criado as condições mínimas necessárias para a continuidade das operações, com menor pressão dos compromissos da dívida de curto prazo e sem a pressão de alienar ativos a preços desvantajosos.

4. Uma solução que tivesse mantido a integridade do GES, independentemente da sua estrutura acionista, era do alto interesse da economia nacional. Teria permitido manter o último conglomerado misto português, com a importância daí resultante para as condições de operacionalidade, para os poderes de decisão e para os fatores e parâmetros de desenvolvimento da economia portuguesa.

Em oposição a isto, temos, recentemente, vindo a assistir à entrada de empresas integradas em conglomerados mistos, neste caso estrangeiros, na economia portuguesa, como por exemplo os grupos La Caixa, Fosun e outros de diferentes nacionalidades, uns com presença já assegurada e outros ainda em potencial. Na sua maioria estes grupos foram ou são, direta ou indiretamente, apoiados pelos respetivos estados.