SUL

de

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Um hino às experiências que nos enriquecem de forma indelével e um convite irrecusável para embarcar numa aventura intemporal.


PORTES: GRÁTIS DISPONIBILIDADE: Em Stock DESCONTO IMEDIATO DE 10% * DESCONTO VÁLIDO PARA O DIA 23/07/2019 Sobre preços e promoções consulte as nossas Condições Gerais de Venda.
ISBN: 9789897242144 Edição ou reimpressão: Julho de 2019 Páginas: 256 Dimensões: 25.00 x 19.00 x 0.00 cm Peso: 500 Categoria: Temática:

Eu sou um contador de histórias. 
Pagam-me para percorrer o mundo e contar o que vi.
Umas vezes vi tragédias, miséria, coisas que magoava descrever. Outras vezes vi sonhos, esperanças, histórias felizes. Este é um livro que reúne apenas a parte boa daquilo que me coube em sorte ver e contar. 

São muitos e todos fascinantes os destinos deste SUL. De São Tomé e Príncipe a Itália, com paragens em Goa, Cabo-Verde, Egito, Espanha, Marrocos, Costa do Marfim ou Tunísia, da amazónia à selva africana, Miguel Sousa Tavares transporta-nos para um sem fim de lugares inesquecíveis através das páginas deste livro. 

Resultado de várias viagens que fez como jornalista, SUL é um livro ímpar: apresenta-nos o jornalista-viajante-contador de histórias, descobrindo e dando a descobrir o lado mais profundo e verdadeiro de cada um destes países.

EXCERTOS
«O que mais deixei para trás, em cada viagem que fiz, foram os amigos que não voltei a ver. Amigos verdadeiros, instantâneos, instintivos, amigos do peito, para toda a vida. 

Cá dentro, sou um português macambúzio, fechado sobre si mesmo, frequentemente de mal com Portugal e com os portugueses. Lá fora, sobretudo quando viajo sozinho, sou um homem novo, sem país, sem destino, sem passado nem futuro: apenas o tempo que passo.

E assim, porque sou verdadeiramente livre e desconhecido, acontece-me frequentemente tornar-me íntimo amigo de pessoas que acabei de conhecer há meia dúzia de horas. Tudo é genuíno e generoso nesses encontros e, quanto maiores são as diferenças, mais evidente se torna o que é essencial nas relações entre as pessoas. Não esperamos nada uns dos outros, apenas o privilégio de viajar juntos, beber uma cerveja juntos, ficar à conversa por uma noite adiante.»


«Uma das pessoas que me ensinou a viajar foi a minha mãe. Ensinou-mo com uma simples frase. A única vez que viajámos juntos, fomos a Roma. Estávamos sentados uma tarde na Piazza Navona, o seu local preferido de Roma. Ela bebia um dos seus inúmeros chás diários e há mais de uma hora que ali estávamos, sentados a contemplar a beleza perfeita da praça, enquanto fumávamos vários cigarros – ainda o mundo não era o que é hoje, uma quinta de virtudes ditadas pelos americanos. Nenhuma ideia de viagem, para mim, pode prescindir de praças, terraços, varandas, esplanadas, nem que seja um simples monte de areia em pleno deserto.

Mas estávamos ali há demasiado tempo, era a primeira vez que vinha a Roma e tinha, logicamente, alguma pressa de seguir caminho e ir ver outras coisas. Sentindo a minha impaciência, a minha mãe disse-me: «Miguel, viajar é olhar.» Até hoje, fiquei sempre cativo desta frase e do que ela implica e compromete o verdadeiro viajante. Tal como a minha mãe escreveu algures, só o olhar não mente, porque todo o real é verdadeiro. Essa necessidade de olhar fez de mim um fotógrafo e um director de filmagens compulsivo, de cada vez que viajava. Em parte, porque o fiz profissionalmente, enquanto jornalista, quis trazer testemunho que pudesse mostrar aos outros. Mas, aos poucos, dei-me conta de que também fotografa para mim, como se quisesse agarrar na câmara e prolongar eternamente os instantes perdidos a olhar todas as coisas. E, paulatinamente, fui largando para trás toda a parafernália fotográfica que sempre me acompanhava. Por um lado, tenho pena, porque gosto do acto de fotografar; por outro, sinto-me infinitamente mais livre, viajando só com o meu olhar e apenas podendo dizer à chegada: «Declaro que vi coisas extraordinárias, de que nenhuma fotografia poderia dar testemunho real.»