
A GALERIA DOS NOTÁVEIS INVISÍVEIS
«Dona Isabelinha aprendera a tocar piano e a falar francês, marca distintiva das famílias com laivos de aristocracia, mesmo que falidas e com o património esburacado pela ociosidade da nobreza que não acompanhara o mudar dos tempos.»
Este livro marca o regresso de Afonso Valente Batista. As histórias que compõem este livro abordam algumas das questões durante séculos constituíram as preocupações do ser humano: a obediência política, a submissão religiosa, o direito à felicidade e à revolta, a consciência da finitude da vida ou a reflexão sobre a sua existência.
Esta inquietação acompanha em permanência uma narrativa rica nas reflexões das suas personagens e uma crítica social servida por uma subtil (e, por vezes, surpreendente) ironia denunciadora de injustiças. Paralelamente, em quadros de tensão psicológica ou de apaziguamento com o leitor, não deixa de refletir um incessante labor literário em torno (e em busca) da solidão, da revolta e da serenidade.
Se Adosindo Ferraz, figura de uma destas extraordinárias histórias, morreu num dia omisso no calendário das importâncias, A Galeria dos Notáveis Invisíveis, pelas reflexões das suas personagens, pela capacidade metafórica e descritiva ou, ainda, pela sua invulgar riqueza vocabular, não deixará de permanecer como uma obra singular na literatura portuguesa dos últimos anos.






