
BARCAS NOVAS LEVAM GUERRA
RETRATO DAS ANGÚSTIAS DE UMA SOCIEDADE
NOS ÚLTIMOS DIAS DO ESTADO NOVO
Segunda metade do século XX: o país dir-se-ia alheio às mudanças que iam pelo do mundo. A Guerra! Os navios a largar do Tejo, a levar os militares para a guerra. Os lenços, as lágrimas. «Até à volta...», «Até à volta!»
E as senhoras do Movimento Nacional Feminino, que à despedida distribuíam uns cigarros, uns aerogramas: «Até à volta!» Voltariam? Sim, alguns voltaram, doridos, estropiados. Outros, dentro de urnas. E de alguns, nunca mais se soube.
Henrique e Rafael, irmãos, lutavam por vingar nos estudos. Henrique, aluno de Biologia, fora conseguindo adiar a recruta; já o irmão, estudante de Económicas e activo contestatário ao regime, não conseguira contornar as suas obrigações militares e fora destacado para a Guiné. Pouco tempo depois de embarcar no Niassa, deixa de dar notícias. Teria desertado? Ficara ferido na frente de combate? Havia sido apanhado numa emboscada?
Inconfundível no estilo a que Filomena Marona Beja habituou já os seus leitores, Barcas Novas Levam Guerra é um livro depurado e vigoroso sobre a angústia que marcou uma geração e, em simultâneo, uma denúncia da intolerância e da repressão de um regime que se aproxima da sua agonia.






