
Camilo Íntimo
Mergulhar numa correspondência como esta é sair dela com as mãos cheias de “coisas espantosas”, para citar o título de um romance de Camilo. Bigotte Chorão
Cartas inéditas entre Camilo Castelo Branco e o Visconde de Ouguela. Considerações políticas, confissões amorosas, desabafos sobre a família.
Camilo Castelo Branco e Carlos Ramiro Coutinho, visconde de Ouguela, eram amigos de infância e trocaram centenas de cartas. Muitas delas, quase que esquecidas no Brasil, só agora são tornadas públicas.
Mas por que razão essa correspondência permaneceu até hoje inédita e se encontrava em São Paulo? Estreitos laços de família ligaram o visconde de Odivelas, cujos descendentes se transferiram para o Brasil, ao visconde de Ouguela, o destinatário das cartas, avança Beatriz Berrini nas primeiras páginas do livro.
Segundo Bigotte Chorão, especialista camiliano, os dois conheciam-se de longa data, desde os estudos primários, e daí a familiaridade com que se tratam e o à-vontade de ambos no juízo dos homens e da sociedade, sem escamotear coisas de natureza muito pessoal ou íntima.
No total, encontram-se neste volume mais de 250 cartas (a totalidade das cartas que constituíam o acervo camiliano da família de Odivelas mais as que tinham sido oferecidas ao então presidente do Conselho, Oliveira Salazar, que, por sua vez, as doou ao Arquivo da Universidade de Coimbra).
Camilo Íntimo é assim uma obra fundamental para conhecer melhor o escritor e o cidadão atento, insatisfeito e inquieto que foi Camilo Castelo Branco. Mais: este livro é um testemunho rico e enriquecedor de uma época e de uma sociedade.
«O digno sucessor de diversos volumes que, ao longo dos anos, têm reunido a correspondência deste escritor maior da literatura portuguesa.» Hugo Pinto Santos, Time Out





