
Longe É um Bom Lugar
Histórias deliciosas do mais carismático autor português. O humor sábio de Mário Zambujal num livro que deixa o leitor de bem com a vida.
É com muito gosto que Mário Zambujal lhe apresenta Tânia Dulce, uma jovem de ampla capacidade para amar e que depressa cede aos rogos do doutor Ângelo, narrador de uma movimentada relação de desfecho imprevisível. Médico com sonhos de romancista, o doutor Ângelo percorre caminhos paralelos, do romance real com Tânia Dulce e da trama ficcional que se esforça por escrever.
Em Longe é um Bom Lugar (o resto são histórias), Mário Zambujal volta a cativar os leitores pelo ritmo vivo da prosa em que avultam as surpresas, o humor e a reflexão acerca de comportamentos e situações. E porque o resto são (também) histórias, o leitor acompanha uma sequência de pequenas ficções com o estilo inconfundível a que podemos chamar zambujalesco.
Excerto
Partiu do poeta Xavier Mendes o incitamento para que me evaporasse de Lisboa, encontraria a paz criativa na Estalagem da Égua Brava, a milhas de tudo e de todos. Eu retomei a ideia de que longe é um bom lugar quando Xavier garantiu que ali se encontrava o lugar supremo da inspiração, brotavam-lhe poemas ainda antes do pequeno-almoço e estendia-se a veia até ele tombar de sono.
Concedi-me férias no consultório e pedi a aquiescência de Tânia Dulce.
- Estalagem, Ângelo? – estranhou, de nariz empinado. – E sozinho?





